Inquieto, Gustavo Mioto incursiona pelo rock em álbum em que tenta ir além do desgastado padrão da música sertaneja
Sem se desvincular do sertanejo, Gustavo Mioto lança álbum, 'Pensamentos intrusivos', permeado por instrumental de pegada roqueira Leo Saucer / Divulgação â...
Sem se desvincular do sertanejo, Gustavo Mioto lança álbum, 'Pensamentos intrusivos', permeado por instrumental de pegada roqueira Leo Saucer / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Pensamentos intrusivos Artista: Gustavo Mioto Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♬ Enquanto alimenta o sonho de lançar álbum internacional com músicas em inglês formatadas com a estética pop country, projeto sinalizado em abril e julho com os singles “Last goodbye” (2026) e “Drunk side” (2026), Gustavo Mioto procura expandir as fronteiras do universo sertanejo com o álbum “Pensamentos intrusivos”. Antecedido pelo single que apresentou o rock “Como é que fala de amor?” em 3 de setembro, o álbum vem colhendo elogios além do universo sertanejo desde que foi lançado em 17 de setembro. Parceria de Mioto com Daniel Ferreira, Giana e Elana Dara, “Como é que fala de amor?” deu pista certeira sobre o álbum. O rock, gênero que também moldou a identidade musical de Mioto, está entranhado em todo o disco, muitas vezes de forma explícita na instrumentação das faixas, outras vezes mais na atitude de rejeitar o sertanejo plastificado pelo mercado. Gustavo Mioto mira carreira internacional com música tema da Festa do Peão de Barretos Verdade seja dita: o cantor, compositor e multi-instrumentista paulista de 29 anos já vinha corajosamente criticando em público o mais do mesmo vigente no mercado sertanejo – o que torna “Pensamentos intrusivos” um álbum coerente com a ideologia do artista. Gravado com produção musical de Gabriel Pascoal, “Pensamentos intrusivos” não deixa de ser um álbum sertanejo. Basta ouvir músicas como “Vai ver falar de mim” (faixa mais fiel aos cânones do gênero no século XXI), “Tem sentimento” (gravada pelo cantor em feat com Mariana Fagundes) e “Deus te livre”, mas flerta de forma salutar com os códigos do pop rock. Tanto que a regravação de um rock do repertório da banda Capital Inicial – “O mundo” (Pit Passarel), lançado pelo grupo há 28 anos no álbum “Atrás dos olhos” (1998) – se ajusta ao repertório inédito do álbum “Pensamentos intrusivos” sem soar como faixa alienígena no disco. A música “Quebra de padrão” faz jus ao título pelo fato de a instrumentação roqueira não se enquadrar totalmente no molde sertanejo – e essa instrumentação está na raiz do álbum “Pensamentos intrusivos”. Sem falar que parece haver uma emoção real nos versos e no canto de músicas como a balada “Carta aberta ao novo” e “Eu e eu”, faixa que ganha pegada roqueira, mas começa como canção com os reflexivos versos “A maré tá baixa pra novos começos / Mas se eu desistir de amar alguém / Eu estaria desistindo de mim mesmo / Afinal, eu quero ser pai também / Ter mais responsabilidade, Não chegar em casa tarde / Ser o bom dia de alguém / Ser exemplo pra quem vem / Pensando aqui, por que eu não paro com ninguém?”. Encerrado com “Voz do vento” (mais uma canção gravada na pressão roqueira) e produzido pela empresa marotamente intitulada Fora de Moda, o álbum “Pensamentos intrusivos” mostra Gustavo Mioto em movimento, com salutar (e rara) inquietação no universo sertanejo. O que torna dispensável o “Interlúdio Zezé”, faixa falada em que Zezé Di Camargo referenda as boas intenções do artista de remexer na fórmula da música sertaneja, já que o melhor álbum de Gustavo Mioto fala por si só... Capa do álbum 'Pensamentos intrusivos', de Gustavo Mioto Leo Saucer / Divulgação