Agência de direitos humanos dos EUA processa 'The New York Times' por discriminação contra funcionário branco
Emblema da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos EUA (EEOC). David Zalubowski/AP A agência federal de direitos civis dos Estados Unidos entrou...
Emblema da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos EUA (EEOC). David Zalubowski/AP A agência federal de direitos civis dos Estados Unidos entrou com uma ação contra o "The New York Times" por suposta discriminação contra um funcionário branco que não foi promovido. Segundo o processo, apresentado na terça-feira (6), o jornal teria deixado de promover o homem para favorecer uma mulher menos qualificada, com o objetivo de cumprir metas de diversidade. A Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego (EEOC, na sigla em inglês) moveu a ação em nome de um editor do jornal. Ele afirma ter sido vítima de discriminação de gênero e raça ao não conseguir a vaga de editor-adjunto de imóveis em 2025. A denúncia se baseia no Título VII da Civil Rights Act of 1964, que proíbe discriminação no trabalho por sexo, raça, origem nacional ou religião. LEIA TAMBÉM: Trump assina nova estratégia antiterrorismo com foco em cartéis e 'extremismo ideológico' Vídeos em alta no g1 De acordo com a agência, as metas públicas do jornal para aumentar a presença de mulheres e pessoas negras em cargos de liderança influenciaram a decisão. O homem branco teria sido excluído da etapa final, enquanto três mulheres e um homem negro avançaram. A presidente da EEOC, Andrea Lucas, afirmou que nenhuma instituição está acima da lei. “Não existe ‘discriminação reversa’. Toda discriminação por raça ou sexo é ilegal”, disse. Lucas é aliada das políticas do governo do presidente Donald Trump contra programas corporativos de diversidade. Ela já incentivou homens brancos a denunciarem casos de discriminação. O "New York Times" disse que a ação é “politicamente motivada” e afirmou que vai se defender “com vigor”. Logo do The New York Times em frente ao prédio do jornal. Mark Lennihan/AP A porta-voz do jornal, Danielle Rhoades Ha, declarou que a EEOC ignorou fatos para sustentar uma narrativa pré-definida. Segundo ela, nem raça nem gênero influenciaram a escolha. “Contratamos a candidata mais qualificada, e ela é uma excelente editora”, disse. O processo afirma que o funcionário trabalha no jornal desde 2014, principalmente na editoria internacional, e tinha experiência com cobertura imobiliária. Já a mulher escolhida para o cargo, segundo a ação, não tinha experiência na área. A EEOC afirma que ela “se encaixava nas características de raça e gênero” que o jornal buscava ampliar na liderança. O processo também cita políticas de diversidade do jornal, incluindo um plano lançado em 2021 que previa aumentar em 50% o número de líderes negros e latinos até 2025. Segundo a EEOC, essa meta foi atingida já em 2022, mas a empresa manteve os programas. Em 2024, funcionários brancos representavam 68% da liderança, contra 29% de pessoas não brancas. Críticos dizem que a ação da agência ataca iniciativas que buscam reduzir desigualdades históricas no mercado de trabalho dos EUA. A EEOC também investiga outras empresas. Em fevereiro, abriu apuração contra a Nike por suposta discriminação racial contra funcionários brancos.